segunda-feira, 19 de março de 2012

"CHARRÉTA DO BIRO" Diário dos Gambas 2 - por Áureo Moraes e Feijão.

Diário dos Gambás II

Antes de qualquer outra palavra, dentre as tantas desta segunda edição do “Diário”, é bom deixar claro que esta é uma obra criada e construída a quatro mãos: além das deste escriba, as do genial Edenaldo, mais conhecido pela alcunha de Feijão (numa próxima coluna explico o porquê do apelido...).
Já disse que a colaboração com o Daqui só se deu por muita insistência do Celso. Pois a sua consolidação só está sendo possível com a incomparável ajuda do Feijão, suas histórias e estórias sobre o cotidiano de nosso consultório de terapia coletiva, a GamBarzeira. Nosso processo criativo – detesto quando repórteres fazem a pergunta sobre isto a escritores seus entrevistados – é simples: dividimos lembranças deste ou daquele caso, cada um produz uma “versão” e, depois da troca de mensagens, fica pronto o texto final. Simples assim, como simples é o dia a dia do reduto dos gambás.
Pois então: a partir de uma destas lembranças, vamos contar aqui a famosa história da “Charreta do Biro Biro”...
Foi num domingo, em agosto de 2008. Feijão e mais uns amigos, na GamBarzeira, comentavam a formula 1 e falavam sobre automóveis, com um dentre tantos os especialistas que a GamBarzeira é capaz de produzir, o Gerson Menega, que trabalha com venda de carros. Comentários sobre potência, velocidade, conforto, e outros eteceteras.  Junto ao grupo estava um cidadão muito pobre, simples, que carinhosamente chama ao Feijão e ao Casinho de "meu cumpadre”. Nós o chamamos de "Biro-Biro" pela semelhança de feiúra com aquele conhecido jogador do Corinthians. Biro-Biro, sempre acompanhado do seu "martelinho de pão com mussi" (um aperitivo de cachaça com vermout) na mão. Ouvindo aquele debate sobre os carrões, num dado momento Biro sentou-se ao lado do Feijão e, bem baixinho sussurrou, com os olhos bem vermelhinhos parecendo um coelho:
- cumpadre Feijão, sabe qual é o maior sonho da minha vida  e até hoje, com mais de 60,  não consegui realizar?
- não Biro, fala, atendeu o Feijão.
- o meu maior sonho, cumpadre, era ter uma charretinha e um cavalinho, pra mim poder trabalhar e passiá pra visitá as pessoa.
Feijão, confessa, ficou derretido. Não consegui se aprumar. Os demais amigos calaram-se diante de tamanha simplicidade, enquanto eles comentavam sobre carrões e fortunas do esporte. Para o, Biro-Biro, por mais velozes que fossem aquelas máquinas, não alcançavam o singelo sonho de ter sua charreta.
Sem conter o desejo de realizar aquele sonho, Feijão. saiu de mansinho, fez alguns contatos e, dali mesmo, fechou negócio com um amigo que lhe vendeu uma charrete, já com um cavalinho.
Chamou em seguida outros: o Casinho, este que vos escreve, Djalma Lucio, que prontamente se comprometeram a arrumar mais amigos para “pagar” o sonho do Biro-Biro.
Dinheiro recolhido, pagamento feito. No sábado, 6 de setembro, ao meio dia, marcou-se a solene entrega oficial da "Carruagem com seu cavalo baio” (na verdade uma égua...) Festa com direito a foguetório, apresentação oficial de Aureo Bonner, assistência veterinária do Dr Marcos, seguro do Djalma, apadrinhagempolicial do Casinho, abastecimento grátis por 6 meses do condutor na GamBarzeira e alguns jardins de determinados colaboradores para pastagem do cavalo. Além, claro, da assistência mecânica da carroça na oficina do Froza.
Tá certo que a eguinha tava um pouco magra, precisou de um bom trato, mas o Dr. Marcos, veterinário da área, garantiu que em um ano se não engordasse, morria.
O Biro e seus dois filhos, adolescentes saíram faceiros, certamente pessoas mais felizes. Para eles a realização daquele sonho foi muito maior que os 300 por hora dos carros da Fórmula 1.

Aureo Moraes
Jornalista, professor da UFSC, vive em Florianópolis desde 1983 e no Cacupé desde 1998. Pode ser encontrado na GamBarzeira sempre aos sábados e/ou domingos, das 11h00min às 12h30min.
Edenaldo Feijão Lisboa da Cunha
Líder comunitário, presidente do Clube Avante, proprietário da GamBarzeira, mané, contador de histórias e piadista. Não bebe – só Coca Zero, mas vive embriagado com tanta alegria que a GamBarzeira é capaz de gerar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário